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Pink & Trash 2

30Set09

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Prédios inacabados,  abandonados, me atraem muito. Para mim, são cenários perfeitos para fotografar mulheres poderosas com a Melissa.


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Centenas de fotos sendo devoradas pelo tempo. Preciso urgentemente fazer uma seleção e mandar escanear.


G – Quem é Jozé de Abreu? Há quanto tempo está no ramo da fotografia? Pode falar sobre sua trajetória?

JA – Poxa, se você me disser quem sou eu, ficarei eternamente agradecido. Pergunta difícil, moça. Sou ator de muitos papéis, malabarista por necessidade, gozador por opção, cheio de dúvidas e dívidas, como todo brasileiro que já passou dos 50. Tenho mulher, filhos, uma casa e muitos livros. Sou um privilegiado!
A fotografia entrou muito cedo em minha vida. Meu avô tinha uma coleção de daguerreótipos e cartões-postais franceses do início do século passado, com belas mulheres nuas. Eu era menino ainda e ele me mostrava às escondidas. Deve ter vindo daí meu interesse pela fotografia erótica. Mas só comecei a fotografar aos 25 anos, quando comprei minha primeira câmera.Tem uma coisa que faço questão de deixar claro: não sou fotógrafo profissional. Raramente ganho dinheiro com minhas fotos.

G -Fala-se muito sobre uma erotização crescente da exibição do corpo feminino por parte dos meios de comunicação brasileiros. Você concorda com essa visão? Em caso positivo, a que você atribui esse fenômeno? Em caso negativo, o que você diria sobre esse assunto?

JA – Existe, sim, mas o fenômeno não é novo nem se restringe ao Brasil. Erotismo vende e a lógica da mídia ocidental é, obviamente, capitalista. Há mais de 30 anos, as Chacretes já faziam as delícias dos marmanjos rebolando aquelas bundas imensas na TV, em pleno sábado à tarde. Acho que às vezes rola um certo exagero na TV aberta, mas os códigos de auto-regulamentação são eficientes e terminam ajustando as coisas.

Na verdade, não acho que essa seja uma questão muito importante. Pior, bem pior, é a banalização do mal, da violência. Prefiro ter filhos erotizados do que ter filhos bandidos.

G – A discussão sobre os limites entre “erotismo” e “pornografia” é um tema recorrente. Um exemplo é o de uma campanha humorística na web que exibia um banner com os dizeres “Abaixo as fotos sensuais! Quero ver mulher pelada”. Como diferenciar o que é o “nu artístico”, a “fotografia erótica” e a “fotografia pornográfica”? Como fotógrafo, qual a sua opinião sobre o limite entre arte e pornografia?

JA – Essa é uma discussão estéril. A fronteira entre o erótico e o pornográfico é difusa, subjetiva, pessoal. Muda de acordo com a época, com a cultura. Durante a ditadura, era proibido mostrar os mamilos e os pelos pubianos. As modelos que saiam na Playboy não tinham pentelhos nem mamilos, pareciam umas Barbies. Hoje a Playboy é lida até em sala de espera de dentista e ninguém engasga com os pentelhos.Acho a expressão “nu artístico” muito pedante. Qual seria o oposto do nu artístico? “Artístico” aí é usado como sinônimo de bom gosto e, nós sabemos, o bom gosto é socialmente determinado. Nem toda nudez tem apelo sexual. Por exemplo, as fotos do Spencer Tunik, aquele que fotografa um monte de gente nua amontoada nas ruas, não são eróticas, nem pornográficas. São políticas.
Mas, vamos lá! Do ponto de vista de quem consome, pornográfica é a foto que você não se sente à vontade de admirar junto com seus pais ou com seus filhos. Do ponto de vista de quem produz, a foto é pornográfica quando tem a intenção de provocar excitação sexual. Pelo menos, essa é a distinção que me ocorre no momento.

G – A Internet deu novo fôlego à indústria pornográfica, que fatura hoje pelo menos vinte vezes mais do que nas décadas de 1980 e de 1990.  Agora se pode ter acesso a imagens e vídeos de sexo com um simples clique do mouse. A que você atribui esta incrível demanda?

JA – De certo modo, a Internet democratizou o acesso a esse tipo de material. E as páginas com conteúdo sexual são realmente as campeãs de acesso. Acho que isso se deve a vários fatores. A maioria dos internautas são jovens, esse é o primeiro ponto. Outro aspecto importante é que a Internet permite que as pessoas acessem esse tipo de material sem se expor, ser ter que ir à banca de revista ou à locadora de vídeo.

G – Percebe-se na mídia a crescente busca por imagens do corpo nu erotizado, atividades sexuais, com finalidade primariamente masturbatória. Na sua opinião o público masculino ainda é o maior consumidor neste mercado?

JA – O público masculino ainda é maioria, mas isso vem mudando. É cada dia maior o número de mulheres que consomem material pornográfico. As estatísticas dos sites pagos mostra isso claramente. O número de assinantes do sexo feminino vem aumentando consistentemente.

G – Existem opiniões contraditórias sobre a pornografia em geral. Alguns sugerem que há uma relação entre pornografia, estupro e outras formas de violência. Já a escritora Wendy McElroy afirma que: “Ela estimula fantasias sexuais. Ensina a pessoa a ter prazer no sexo”. Para outros, a pornografia incentiva a tratar o sexo com franqueza. “A pornografia beneficia as mulheres”, diz a escritora. Qual a sua visão sobre a influência social da pornografia?

JA – Concordo com a Wendy. A pornografia é necessária  e desejável. Ela confronta as pessoas com suas próprias fantasias, faz com que o homem ou mulher constate que não está sozinho em suas esquisitices, que existem outras pessoas que compartilham os mesmos gostos e interesses. A pornografia tem um lado educativo também. Mas é preciso ter em mente que os filmes pornográficos são ficção. Quem assiste ao Homem Aranha não sai por aí tentando saltar entre os edifícios. Do mesmo modo, quem assiste filme pornô não deve tomar o desempenho dos atores e atrizes como referência para seu próprio desempenho.

G – Nem todo mundo que vê pornografia ficará viciado. Alguns, talvez, apenas ficarão com algumas idéias distorcidas sobre mulher, sexo, casamento e crianças. Porém, outros terão algum tipo de abertura emocional que permitirá que o vício tome lugar. A pornografia pode distorcer o conceito que a pessoa tem sobre o sexo oposto?

JA – Claro que pode. Toda mídia tem essa capacidade de distorcer conceitos e percepções. Portanto, não é só a pornografia que pode levar a uma visão distorcida do outro. Os programas de auditório, por exemplo, fazem isso de forma muito mais eficiente.

Originalmente publicada aqui.


Luana

17Set09

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A luz que ilumina Luana não é luz, é língua.

A luz mais que ilumina. Lambe.


Simples assim

03Set09

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Mayana

15Ago09

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Melissa

03Ago09

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Mila

03Ago09

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